"Singular". Comentários
Chico Amaral
1. "Singular"
Por volta de 98, meu interesse se dirigiu para o jazz
e para as composições do Clube da Esquina. “Singular” é fruto
disso. Tentei colocar no “B” (segunda parte) um pouco de imaginação, à maneira
de Beto Guedes. Se Oswald de Andrade criou a metáfora lancinante,
penso que Beto criou o “B” lancinante.
2. "Sambage à Trois"
Nasceu do flerte do piano com o samba-jazz. O título sugere, sem
dúvida, um triângulo amoroso. Digamos que o terceiro elemento
seja, então, o afro-samba, tanto de Baden quanto de Moacir Santos. É claro
que não pensei, para o título, em nada disso. É apenas
um samba em 3/4.
3. "Sobe o Verão"
Canção com cara de cinema, com certeza. Sempre pensei num
trompete fazendo o tema. Pra ser sincero, pensei em Chet Baker! Por estas
voltas que o mundo dá, acabamos noutro formato.
4. "Tempo de Samba"
Música de Leo Minax, mineiro radicado em Madrid. A letra em português é minha,
a versão em espanhol é do Leo. Que além de cantar,
apresentou um espécime novinho de violão “gemedeira”.
Eu, você, nós dois, já temos nosso samba.
5. "Maio"
Que tinha o título cabotino “Parabéns Para Mim”,
por ter sido feita no dia do meu aniversário. Foi composta também
no piano. Ed Motta foi quem despertou em mim o interesse por grooves pianísticos,
tal como o da introdução desta música.
6. "Duas Marias"
Música composta no violão, mais tarde ganhou esse arranjo
para o piano. Acho que é uma canção mineira. Tive
coragem de mostrá-la pra Toninho Horta, certa vez, em sua casa,
no violão!
7. "Panamericana"
Canção em 6/8 e rock’n roll no final. “Não
vale nada essa estrada”, diz a letra original. Frequentemente a gente
começa uma coisa em tom de elegia e acaba desancando o objeto de
nossa admiração.
8. "Tateando"
O piano é, fácilmente, a maior invenção da
humanidade, depois do analgésico. Foi através dele que eu
conheci as fugas de Bach, os prelúdios de Chopin, etc. “Tateando” lança
mão de um artifício que eu vinha praticando no sax: você dá uma
nota “fora” e depois “entra” no acorde.
9. "Boca"
Pedi ao Leo Minax (pronuncia-se “mináquis”) para fazer
a letra. No arranjo, o especial do meio foi idéia do Lincoln Cheib
(mando através dele um abraço a todos os músicos,
meus amigos; todos foram geniais). No código genético de “Boca” com
certeza estão Milton e Edu. A música se desenhou no violão
em rapidíssimos minutos.
10. "Borboleta"
Balada com interpretação de sopros e improviso de piano.
Pra gente ir ao balcão e dar boa noite ao barman.
11. "Balancim"
Não parece, mas foi feita no violão. Quando a gente passou
para o sax, deu certo. É gostosa de tocar no show.
12. "Lobo"
Um dos grandes discos que conheço é o de Edu Lobo: “Sérgio
Mendes Presents Edu Lobo”; esta composição homenageia
este trabalho.
13. 'Bodas"
Uma canção é uma canção é uma
canção pop mesmo. Nessa área, como nas demais, é muito
difícil acertar. Antes de terminar a composição, ela
já me fazia lembrar o Samuel. Ultimamente ele vem buscando, com
o Skank, a canção pop sofisticada, como nos Beatles, em Brian
Wilson ou em Lô Borges. |