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Chico Amaral, um dos maiores ícones da música brasileira em Minas Gerais
Autor: José Domingos Raffaelli
Data: 2013-09-01


Durante anos a música popular brasileira proliferou em Minas Gerais, especialmente quando o pianista e compositor Pacífico Mascarenhas, o pioneiro da bossa nova em Belo Horizonte, gravou a série de discos “Sambacana”. Posteriormente, nos anos 70, surgiu a geração que criou o famoso “Clube da Esquina”, quando despontaram, entre outros, Milton Nascimento, Fernando Brandt, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Wagner Tiso.

Vivendo no Rio de Janeiro, eu não tinha qualquer contato com a cena musical mineira. Anos mais tarde, como jurado do evento Free Som, evento criado para selecionar os conjuntos instrumentais brasileiros que se apresentariam no Free Jazz Festival do ano seguinte, ouvi ao vivo o conjunto do violonista Juarez Moreira, no qual tocavam o pianista André Dequech e o fenomenal baterista Esdra Ferreira Nenem, ficando vivamente impressionado pela qualidade da sua música, dos arranjos e do talento dos seus integrantes.

Anos mais tarde recebi o CD “AOS OLHOS DE GUINARD”, do talentoso violonista, compositor e arranjador Flavio Henrique (de quem até então não ouvira falar), com participações da cantora Marina Machado, uma das melhores do Brasil, e do excepcional trio vocal Amaranto, das irmãs Flavia, Marina e Lúcia. Esse CD abriu-me definitivamente as portas para a música popular brasileira moderna feita em Minas Gerais, assim como para a categoria dos seus músicos, compositores, arranjadores e cantores.

Meu contato direto com a música brasileira moderna tocada em Minas Gerais começou em 2001, quando fui jurado do I Prêmio BDMG-Instrumental, promovido pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Assistindo as apresentações dos concorrentes desse evento dei-me conta do talento de vários músicos locais, ficando impressionado com alguns integrantes dos diferentes conjuntos, entre os quais o saxofonista Cleber Alves, o violonista, compositor e arranjador Flavio Henrique, o violonista Weber Lopes, a vibrafonista Daniella Renó e outros.

Devido à minha ligação com o Prêmio BDMG-Instrumental, voltei a Belo Horizonte nos anos subsequentes até 2009, tendo a oportunidade de conhecer ainda melhor o nível dos músicos locais, vários de alta categoria em seus instrumentos, sendo alguns também excelentes compositores e arranjadores.

Conhecido como letrista do conjunto Skank, a carreira do saxofonista, compositor e arranjador Chico Amaral despontou em 1979 no conjunto de choro “Naquele Tempo”, tocando com Altamiro Carrilho e Cartola.

Além do Skank, ele participou de concertos e gravações com vários artistas em shows e discos. Tocou guitarra com Marcus Viana no grupo Sagrado Coração da Terra; gravou com Lulu Santos no disco “Assim Caminha a Humanidade” e tocou em shows com Jorge Benjor e Nivaldo Ornellas, entre outros. Algumas composições suas foram gravadas por Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, conjunto Cidade Negra, Alda Resende, Angela Evans, Amaranto, Kadu Viana, Marina Machado, Maurício Tizumba e Regina Sousa.

A produção de Chico Amaral como compositor inclui parcerias com Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Ed Motta, Erasmos Carlos, Túlio Mourão, Totonho Villeroy, Affonsinho, Flávio Henrique, Leo Minax e Juarez Moreira.

Chico Amaral é um autêntico “homem dos sete instrumentos”. Além de compositor e arranjador inspirado, domina o sax alto, sax tenor e flauta, piano, guitarra e violão. Desde quando o ouvi fiquei impressionado com sua sonoridade majestosa, seu domínio absoluto da massa sonora do sax-tenor, suas improvisações e seus solos. Depois descobri que ele também toca piano – e muito bem! O tempo só fez confirmar minhas impressões sobre seu talento, que cresceram ainda mais ao ouvir gravações com composições e arranjos de sua autoria.

Ele gravou em 2002 o elogiado CD "Livramento" em parceria com Flávio Henrique, com participações de Milton Nascimento, Ed Motta e Marina Machado. Neste CD as composições da dupla atestam a criatividade dessa parceria: em “BELA DA CHUVA”, após o vocal de Flavio, Chico inicia seu solo no sax-tenor com as primeiras notas da célebre “Canto de Osanha”, antecedendo sua improvisação com a autoridade e firmeza de sempre. “PIQUENIQUE DOS TUPINAMBÁS”, o fantástico “HOTEL MARAVILHOSO” (com vocal de Ed Motta), “CINEMA NACIONAL” (tema de abertura do DVD “HOTEL MARAVILHOSO”, outra pérola da dupla), a lírica e romântica linha melódica pungente da obra prima “RETRATO DE JULIA COM NEBLINA” reafirma a capacidade de ambos criarem melodias memoráveis; “SETE BATUTAS E UM AUDITOR” é uma incursão pelo choro clássico na tradição implantada por Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga. O vocal de Marina Machado em “IDÍLIO” atesta suas excelsas qualidades e “DUAS MARIAS” é uma belíssima peça de categoria irretocável que ficará para a posteridade como outra obra prima de Chico Amaral, regravada por ele ao piano no magnífico CD “Singular”; devemos registrar as participações de Lincoln Cheib e Esdra Ferreira Nenem (bateria), Adriano Campagnani e Kiko Mitre (baixo), Paulo Márcio (trompete), Ricardo Fiuza (piano e escaleta), Juarez Moreira (guitarra), Weber Lopes (violão), Wagner Mayer (trombone), Vito Duarte (oboé), Valter Alves (clarinete) e Serginho Silva (percussão).

Outro trabalho de amplo destaque da parceria de Chico e Flávio foi a co-produção do CD “Baile das Pulgas”, da cantora Marina Machado. “Pietá”, em parceria com Milton Nascimento, foi indicada para concorrer como “Melhor Canção do Grammy Latino de 2003”. Chico foi o vencedor do Prêmio Multishow da “Melhor Canção de 2004” com a música “Vou Deixar”, em parceria com Samuel Rosa. Em 2005 compôs a trilha e o CD “Identidades” para o Grupo Corpo, no projeto Corpo Cidadão, e produziu o CD “Aquele Verbo Agora”, do cantor Vander Lee, que concorreu à indicação de melhor do ano pelo “Prêmio Tim de Música”.

Em 2006 ele compôs com Milton Nascimento a canção “Balé da Utopia” para um filme de Marcelo Santiago. Também compôs para o cd “Carroussel”,do Skank. Ele foi um dos entrevistados no livro“Palavras Musicais”, de Paulo Villara, juntamente com os letristas Fernando Brant, Márcio Borges e Murilo Antunes.

Como saxofonista, Chico foi eleito em 2007 “O Melhor instrumentista do Prêmio BDMG-Instrumental para compositores de música instrumental”. Sua parceria com Leo Minax na canção “Tempo de Samba”, do filme “Pudor”, produção espanhola de Tristán Ulloa e David Ulloa, tendo letra original em português. Esta música foi regravada no CD "Singular" com letra vertida para o espanhol.

Ele participou como solista da Big Band da compositora Maria Schneider do Festival Tudo É Jazz, de Ouro Preto, em setembro de 2007. Em dezembro de 2007, lançou com grande sucesso o notável DVD “Hotel Maravilhoso”, em parceria com Marina Machado e Flávio Henrique, uma produção de Ivan Caiafa.

“SINGULAR”, o penúltimo CD de Chico Amaral, é outro triunfo artístico como instrumentista, compositor e arranjador. As 13 composições do repertório de sua autoria são: a música título, “Sambage a Trois”, “Sobe o Verão” (parceria com Roberto Guimarães), “Tempo de Samba” (letra em espanhol em parceria com Leo Minax), “Maio”, “Duas Marias”, “Panamericana”, “Tateando”, “Boca” (com Leo Minax), “Borboleta”, “Balancim”, “Lobo” e “Bodas”. Seus coadjuvantes são alguns dos melhores instrumentistas mineiros: Beto Lopes e Wilson Lopes (violão), Cleber Alves (saxes tenor e soprano), Ricardo Fiúza (órgão e piano elétrico), Rafael Vernet (piano), Enéias Xavier, Kiko Mitre e Adriano Campagnani (baixo), Lincoln Cheib e André “Limão” Queiroz (bateria), Paulo Márcio (trompete), Magno Alexandre, Giuliano Fernandes e Leozinho Nastasia (guitarra), Vinicius Augustus (sax-barítono) e Pedro Aristides (trombone).

“Província”, o último CD de Chico Amaral gravado em agosto, outubro e novembro de 2011 e finalizado em março de 2012, oferece um repertório de 9 composições de um verdadeiro “who’s who” dos mais brilhantes e consagrados compositores mineiros: “Canoa, Canoa”, de Nelson Angelo e Fernando Brandt; “Estação 104”, de Chico Amaral e Enéias Xavier; “12 de outubro”, de Nivaldo Ornellas”, “From the Lonely Afternoon”, de Milton Nascimento e Márcio Borges; “Moça de Fino Trato”, de Túlio Mourão, “Bolero de Ana”, de Tavinho Moura; “Samblues”, de Juarez Moreira, “Pedra da Lua”, de Toninho Horta e Cacaso)e “Nem Nada”, de Beto Lopes e Murilo Antunes.

O autêntico dream team mineiro deste magnífico “Província” é integrado por Nelson Angelo (guitarra), Beto Lopes (violão), Enéias Xavier e Gastão Villeroy (baixo), Kiko Continentino (piano), André Limão Queiroz (bateria), Ricardo Cheib (percussão), Ricardo Fiuza (teclados), Juarez Moreira (guitarra e violão), Magno Alexandre, Wilson Lopes, Samuel Rosa e Marcelinho Guerra (guitarras), Lincoln Cheib (bateria) e Esdras Ferreira “Nenem” (o notável baterista apelidado “Kenny Clarke Brasileiro”), Vinicius Augustus (sax-alto), Nivaldo Ornellas (sax-soprano), “From the Lonely Afternoon” Paulo Marcio (trompete), Tavinho Moura (viola e voz).

Devido à alentada extensão deste artigo, não restou espaço para uma análise detalhada sobre cada faixa, porém os interessados em adquirir este CD poderão informar-se onde encontra-lo com Chico Amaral (www.chicoamaral.com.br).

Nestas linhas tentamos focalizar a carreira de Chico Amaral, um dos mais admirados e respeitados expoentes da brilhante geração de músicos mineiros que fazem da sua carreira uma profissão de fé divulgando com talento, honestidade e entusiasmo a música em que acreditam e dedicam-se de corpo e alma.

José Domingos Raffaelli
homepage: http://www.bjbear71.com/raffaelli






 






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